Estou postando porque a Naty pediu para eu colocar aqui meus sentimentos. Da última vez o que aconteceu foi um fiasco. A turma entrou e quando chegou a hora do grupo dela, cadê? Desisti de alguns sonhos para tentar construir outro que, vejo, está se esvaindo. Sim, está escapando por entre meus dedos.
Mas hoje não vou lamentar, nem chorar pelo leite derramado. Todo mundo sabe, sou uma incógnita. Mas não tolerei ela vir me dizer que eu fiz tudo errado. Como assim? e olha que ela nem sabe que estive na Cidade Vazia.
Fui e voltei. Ela nem desconfiou que eu fui e voltei. Me ligou mais tarde e pensou que eu estivesse na cama, mas eu acordei e fui direto para a Palavra.
Ela não soube usar a Palavra.
Desistiu.
Peça pra colocar no Blog do Luizinho. Eu não vou entender se não fizer.
segunda-feira, 12 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
A Cidade Vazia
Acabo de chegar da cidade vazia. Um lugar que prometo não voltar nunca mais toda vez que saio de lá. Mas toda vez tenho necessidade de estar lá. E volto.
A Cidade Vazia é um lugar que só eu conheço, ninguém mais. É um mundo onde só eu entro, e saio de lá, às vezes satisfeito e realizado, ao mesmo tempo que exausto, aparovado e arrependido.
A Cidade Vazia é uma cidade sitiada por forças proibidas. Pessoas estranhas, vazias, desnorteadas entram nela e saem ainda mais vazias, aflitas, oprimidas e exaustas. Mas todas elas têm necessidade de voltar pra lá.
Voltei agora de lá, como outras vezes tenho voltado. Cada vez mais frequente. Cada vez com intervalos menores.
Não é uma casa de prostituição, embora concluam. É um lugar realmente vazio. Mas não é imaginário. Este não.
Não me resta mais nada a não ser lamentar a maldita coragem que me fez ir pra lá. Eu sou uma pessoa em desencontro.
A solidão me consome nestes dias de pouca vontade para as coisas carnais. Não como, não durmo, não transo. Fazer cocô virou momento de luxo e prazer. Até o xixi sai prazeroso depois de várias garrafinhas de Stella Artois. Não bebo solidão.
Sobrevivo.
Sinto cada vez mais necessidade de ficar sozinho, escondido, longe de qualquer ser que se movimente. Homem ou animal. Com fantasmas eu já me acostumei. São bons companheiros na madrugada.
O prazer caminha lado a lado com um estúpido mal estar quando vou urinar sem ter bebido. Tenho a impresão de que meu organismo está funcionando apenas com cinquenta por cento de atividade. Meu cérebro, no piloto automático. Não percebo quando como, durmo ou satisfaço qualquer outra necessidade fisiológica.
Estou exalando um cheiro fétido. O que é isso? eu nem bebi e estou delirando.
Cidadãos da Cidade Vazia, ouçam o que tenho a dizer, como tantas outras vezes já lhes disse (mas agora, é verdade): eu não vou voltar pra esta cidade infeliz. Eu não vou voltar para esta cidade proibida para bonitos, sadios e espertos. Não vou fumar, não vou beber. Sexo é bobagem, eu sinto minha genitália esconder, sem querer até que minhas mãos a toquem.
Meu Deus, isso é discurso de viciado.
Meus amigos, cadê?, diz a cantora. "Meu amor, cadê você? eu acordei, não tem ninguém ao lado".
Vou ao analista e amanhã vou transcrever minha consulta neste blog infeliz.
Alguém me traz de volta aquela estranha felicidade? E me encoraja a tomar pelo menos um banho?
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Dia 24 de Fevereiro de 2012
Cheguei aqui no laboratório. Não tinha a menor ideia do que colocar no título. Coloquei a data, embora nada signifique neste momento.
Ando tendo pesadelos com minha casa antiga. A casa onde mora minha filha. Desde que eu a deixei, sinto que parte de mim ficou lá, presa, indecisa, engarrafada. Sim, engarrafada. É exatamente como me sinto. Engarrafado. Ando sem noção, sem paciência, sem misericórdia.
É chato perceber que estou indo para o lado errado e que mesmo assim prossigo, equivocado, vazio. É chato e irônico perceber as falhas e continuar nelas, achando que tudo voltará ao seu lugar. Eu já vi esse filme antes. Estou repetindo exatamente a mesma história.
Sinto muita solidão e saudade da minha filha. Meu pai deixou de ser aquele fantasma e agora me aconselha nas noites de uísque e destilados. Este homem é uma praga. Quando me sinto encurralado, fecho a porta do banheiro, faço caretas e grito, sussurrando... digo coisas sem nexo, babo, gozo, esperneio, dou tapas na minha cabeça e choro. Deixo livre o inconsciente. São assim os loucos. A loucura é o consciente que está externo, sem escrúpulos ou pudor.
Não entendo o porquê de as pessoas terem tanto pudor e medo de serem loucas e transviadas. Eu sou assim, mas é só a casca. Tenho ímpetos de me tatuar, de malhar, de subir em um palco e cantar horas a fio, de fazer sexo em grupo, de pichar, sei lá... depois fumar um back, desmaiar.
Continuo involuntário. Obrigado a fazer as coisas para não parecer um hermitão. Antes de escovar os dentes, pentear os cabelos ou tomar banho, tenho que respirar bem fundo e pensar em coisas boas. Por minha vontade ficaria à mercê dos meus desvarios, em casa, fumando, bebendo, tirando meleca do nariz e coçando o saco.
A coceira me acompanha, complacente e indolente. Às vezes não sei que horas são e tenho preguiça de olhar no relógio. Quando a vida me aperta eu digo: "ai, Senhor, não aguento", e caio, exausto, consumido pela minha própria vontade de sumir do mapa.
Talvez eu esteja morto em vida. Mas eu gosto da vida meio morta. Me divirto mais vendo pornografias do que saindo com os amigos. Sexo pra mim só aqueles virtuais onde eu posso gozar sem pudor e sem medo de sujar o tapete. Prazer mesmo só de vez em quando, na cidade proibida.
Escrever escatologias me traz profunda reflexão, pois é a verdade sobre mim que transpassa meu comando central. Às vezes me pego falando alto e gesticulando coisas involuntárias e enfáticas... coisas de gente doida mesmo. E de gente sincera.
Na sala de gente esquisita eu sou o mais desengoçado de todos. Abro minha boca e meu hálito está fétido de cáseos. Me sinto podre. Me sinto pobre. Me sinto sujo. Eu hoje não tenho dinheiro nem para comer um sanduíche. Minha conta bancária está ensanguentada.
Minha querida amiga me pediu para tirar os videos da internet. De um tempo em que estivemos felizes... (será?). Talvez realmente eu estivesse feliz naquela praia com ela. Mas vejo que são amigos de veraneio. Depois das férias ninguém se toca, ninguém se conhece. E lá estou eu sozinho de novo. É normal.
Me vejo entre dois mundos fictícios. Alterno entre um e outro, mas não saio da ilusão. Eu sinto que estou no lugar errado, fazendo a coisa errada, com pessoas erradas, no trabalho errado... não é impressão. Eu sinto isso o tempo todo, desde a hora que levanto. Não raro sinto que estou vivendo a vida de outra pessoa. Não sou eu. Não sou eu. Às vezes quando me olho no espelho não sou eu quem está lá. É estranho.
Estimo que parte de minha história tenha se perdido ao longo de trinta anos de uma vaga carreira. Foi um projeto de vida lançado ao leu.
Estimo que não haja tempo para um recomeço. Nem que haja lágrimas para um arrependimento.
Estimo que esta dor entrelaçada não consiga ser superada.
Estou longe demais pra voltar. Na reta final só vejo livros e um copo vazio de uísque barato. Meu Deus!
Estimo que toda minha vida tenha sido isso. E apenas isso.
Ando tendo pesadelos com minha casa antiga. A casa onde mora minha filha. Desde que eu a deixei, sinto que parte de mim ficou lá, presa, indecisa, engarrafada. Sim, engarrafada. É exatamente como me sinto. Engarrafado. Ando sem noção, sem paciência, sem misericórdia.
É chato perceber que estou indo para o lado errado e que mesmo assim prossigo, equivocado, vazio. É chato e irônico perceber as falhas e continuar nelas, achando que tudo voltará ao seu lugar. Eu já vi esse filme antes. Estou repetindo exatamente a mesma história.
Sinto muita solidão e saudade da minha filha. Meu pai deixou de ser aquele fantasma e agora me aconselha nas noites de uísque e destilados. Este homem é uma praga. Quando me sinto encurralado, fecho a porta do banheiro, faço caretas e grito, sussurrando... digo coisas sem nexo, babo, gozo, esperneio, dou tapas na minha cabeça e choro. Deixo livre o inconsciente. São assim os loucos. A loucura é o consciente que está externo, sem escrúpulos ou pudor.
Não entendo o porquê de as pessoas terem tanto pudor e medo de serem loucas e transviadas. Eu sou assim, mas é só a casca. Tenho ímpetos de me tatuar, de malhar, de subir em um palco e cantar horas a fio, de fazer sexo em grupo, de pichar, sei lá... depois fumar um back, desmaiar.
Continuo involuntário. Obrigado a fazer as coisas para não parecer um hermitão. Antes de escovar os dentes, pentear os cabelos ou tomar banho, tenho que respirar bem fundo e pensar em coisas boas. Por minha vontade ficaria à mercê dos meus desvarios, em casa, fumando, bebendo, tirando meleca do nariz e coçando o saco.
A coceira me acompanha, complacente e indolente. Às vezes não sei que horas são e tenho preguiça de olhar no relógio. Quando a vida me aperta eu digo: "ai, Senhor, não aguento", e caio, exausto, consumido pela minha própria vontade de sumir do mapa.
Talvez eu esteja morto em vida. Mas eu gosto da vida meio morta. Me divirto mais vendo pornografias do que saindo com os amigos. Sexo pra mim só aqueles virtuais onde eu posso gozar sem pudor e sem medo de sujar o tapete. Prazer mesmo só de vez em quando, na cidade proibida.
Escrever escatologias me traz profunda reflexão, pois é a verdade sobre mim que transpassa meu comando central. Às vezes me pego falando alto e gesticulando coisas involuntárias e enfáticas... coisas de gente doida mesmo. E de gente sincera.
Na sala de gente esquisita eu sou o mais desengoçado de todos. Abro minha boca e meu hálito está fétido de cáseos. Me sinto podre. Me sinto pobre. Me sinto sujo. Eu hoje não tenho dinheiro nem para comer um sanduíche. Minha conta bancária está ensanguentada.
Minha querida amiga me pediu para tirar os videos da internet. De um tempo em que estivemos felizes... (será?). Talvez realmente eu estivesse feliz naquela praia com ela. Mas vejo que são amigos de veraneio. Depois das férias ninguém se toca, ninguém se conhece. E lá estou eu sozinho de novo. É normal.
Me vejo entre dois mundos fictícios. Alterno entre um e outro, mas não saio da ilusão. Eu sinto que estou no lugar errado, fazendo a coisa errada, com pessoas erradas, no trabalho errado... não é impressão. Eu sinto isso o tempo todo, desde a hora que levanto. Não raro sinto que estou vivendo a vida de outra pessoa. Não sou eu. Não sou eu. Às vezes quando me olho no espelho não sou eu quem está lá. É estranho.
Estimo que parte de minha história tenha se perdido ao longo de trinta anos de uma vaga carreira. Foi um projeto de vida lançado ao leu.
Estimo que não haja tempo para um recomeço. Nem que haja lágrimas para um arrependimento.
Estimo que esta dor entrelaçada não consiga ser superada.
Estou longe demais pra voltar. Na reta final só vejo livros e um copo vazio de uísque barato. Meu Deus!
Estimo que toda minha vida tenha sido isso. E apenas isso.
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