Não sei se concordo com Nietzsche quando diz que a palavra mais ofensiva e a carta mais grosseira são melhores e mais educadas que o silêncio. Sempre achei meu silêncio joia valiosa demais e sempre achei melhor me calar a proferir palavras das quais iria me arrepender. Segundo ele é melhor expressar nossos sentimentos - mesmo sem encontrar as palavras adequadas - do que ofender com o silêncio.
Eu e Danuza sempre nos ofendemos com o silêncio. Até que um dia o silêncio nos matou.Vivíamos numa incrível e inescrupulosa guerra psicológica. Ela nunca se esforçou para ser minha. Eu nunca a amei. Agora, lendo Nietzsche, percebo que eu estava errado. Essa porra de silêncio foi o que nos matou.
É triste, não encontro um amigo para sofrer comigo, se condoendo da minha estupidez. Alegrias também não compartilho, porque é ainda mais difícil encontrar alguém que seja capaz de se alegrar comigo com extrema sinceridade. Poucas pessoas são capazes de triunfar com a gente. Não é bíblico, é poético. Eu também sou dotado de uma dor chamada inveja. Quando alguém triunfa eu sou um dos tais que se interpõe e indaga: por que não eu?
Assim, é mister que eu passe esses raros momentos de reflexão e solidão. Na sociedade as pessoas se esquivam de mim talvez por me acharem odioso demais. Ou talvez insolente, orgulhoso. Às vezes eu sou assim.
Uma colega de classe resolveu fazer um chá de panela. Eu fui um dos que ficou para trás, sem convite, sem praça. Existe alguma coisa errada com meu comportamento. Coisas de bruxas. Foi a praga que Danuza lançou em mim.
No meu diário, só um verso de Voltaire, absoluto:
"A amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Sensíveis porque um monge ou um solitário podem ser pessoas de bem e mesmo assim não conhecer a amizade. E virtuosas porque os malvados só têm cúmplices; os festeiros, companheiros de farra; os ambiciosos, sócios; os políticos reúnem os partidários ao seu redor; os vagabundos têm contatos; e os príncipes, cortesãos. Mas só as pessoas virtuosas têm amigos."
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