domingo, 11 de setembro de 2011

Explicação

Sim, entendo minha mãe. Entendo quando ela se tranca, solitária, louca para ficar um pouco no vazio de sua letargia. Entendo quando, exausta, quer se ver livre de palavras como "obrigada", "volte sempre", "também te amo". Sim, eu a entendo. Entendo também o meu pai, quando, fatigado, preferia o desconforto do sofá para suas sestas sôfregas. Entre um acesso de tosse e outro ele não dizia uma só palavra, apenas gemia, em um processo lento de compaixão e morte.

Entendo-os perfeitamente, porque sinto exatamente a mesma coisa, a mesma apatia, a mesma falta de coragem para fazer coisas consideradas triviais. Meu Deus, como eu os entendo! Às vezes eu só quero ficar em paz com minha costumeira solidão, e com minha frágil ignorância.

Quero dizer que os entendo, e que acredito no legado que me deixaram. Um misto de tristeza e condolência. Um pouco de saudade, um pouco de dor, um pouco de preocupação, fome e impaciência. 

Queria que me entendessem assim também. Quem? o mundo. Certas horas não tenho ânimo para dizer um "oi". Atos simples como escovar os dentes, às vezes, é uma ação que me traz profundo aborrecimento. Por que será que as pessoas não percebem isso? e por que será que essa coceira que não passa coça mais quando as coisas estão fora de seus lugares?

É como agora. Está tudo meio morno, meio morto. Ninguém, senão este copo de uísque pode me acompanhar. A tristeza que me beira agora é a mesma tristeza de meus pais, às vezes tão presentes, às vezes mortos.

Senhor, eu não tenho palavras.

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